quinta-feira, 10 de junho de 2010

Butia capitata var. odorata

Abaixo foto de um lote de 200 mudas de Butia capitata var. odorata. As sementes vieram de minha cidade natal, Lagoa Vermelha, RS, e estão se dando muito bem no cerrado mineiro. Apesar da germinação demorada, são extremamente resistentes à doenças e pragas, ao contrário de muitas variedades exóticas utilizadas no paisagismo.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Como plantar palmeira imperial


Devido a grande procura pelo tema, vou contar um pouco minha experiência com o plantio de palmeira imperial.

Caso você queira sementes, tenho sementes novas praticamente todos os meses. Entre em contato. No meu email: viveiroburiti@hotmail.com

Sementes

O primeiro passo é ter sementes viáveis. As sementes de palmeira imperial devem ser colhidas quando maduras, ou seja, quando estiverem escuras, e tiverem iniciado a cair dos cachos. A polpa deve ser retirada, pois inibe a germinação. Eu retiro a polpa deixando a semente de molho em água e depois passo ela numa peneira, ficando as sementes limpas. Não use sementes velhas e secas para plantar, pois a maioria das sementes de palmeira perde o poder de germinação se armazenadas por muito tempo. Se for quardar as sementes, utilize ambiente escuro e seco.

Semeando


O ideal é realizar o plantio das sementes em sementeira. Quando se planta direto em saquinhos a germinação é menor. Em primeiro lugar deixe as sementes de molho em água por 7 dias, trocando a água diariamente. Após, plante em uma sementeira, que pode ser de terra, areia, substrato. A sementeira deve ser a pleno sol. O importante é calor e umidade. Não deixe de regar todos os dias. Se o canteiro secar, a germinação é interrompida. nas regiões frias é necessário fazer o plantio em estufa. Para prevenir doeças fungicas o ideal é fazer o tratamento das sementes com um fungicida. Pode colocar um pouco de cinzas no canteiro, que a planta também agradece.

Germinação


A germinação das sementes de palmeira imperial se mostra irregular. Muitas vezes ela demora até 3 meses para iniciar. E geralmente não nascem todas de uma vez, vão nascendo aos poucos. Os melhores resultados são obtidos com irrigação diária (pelo menos 1 vez) e calor. Nos meses frios pode-se cobrir os canteiros com plastico a noite.

Repicagem
Quando as mudas estiverem com 2 a 3 folhas pode-se iniciar a repicagem (transplante) para as embalagens com terra ou substrato. O trabalho deve ser feito na sombra, e as mudinhas devem entao passar alguns dias a meia sobra, até que o pegamento definitivo se realize. Depois disso podem ir ao sol pleno.

Plantio

As mudas podem ser plantadas em local definitivo após 1 ano de semeadas, quando atingirem 70 cm acima. O berço de plantio (cova) deve ser adubado com esterco de curral, calcareo ou cal, fosfato e se for possível, cinzas ou carvão. Eu prefiro que se faça um buraco fundo, de 80 cm ou mais, para que a raiz penetre e a planta suporte melhor a época de seca. Deve-se retirar a embalagem plástica da muda na hora do plantio, cuidando-se para não fragmentar o torrão. O ideal é molhar a muda antes disso.

Pronto, as mudas estão plantadas. Agora é cuidar da irrigação, não deixando ficar sem água no início, nos primeiros 2 meses, quando ela está enraizando. Após 3 meses, faça adubação de cobertura, com o adubo de sua preferência. Repita isso cada 3 meses. Assim, sua palmeira imperial em breve terá aquele porte magestoso que a tantos encanta.

Caso você queira sementes, tenho sementes novas praticamente todos os meses. Entre em contato. No meu email ou no formulário ao lado.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Butia de Uruana de Minas

Há alguns anos observei uma palmeira nos arredores da cidade de Uruana de Minas. Pelo formato das folhas era um Butiá do cerrado. Eu tinha esse encontro marcado, precisava vê-las de perto, coletar sementes, fotografar. Ainda mais porque onde nasci havia muito Butia , cresci comendo seus frutos e castanhas.

Hoje foi um dia especial. Fui até lá. Com a ajuda da amiga Ivone Ferreira, que conhece muito bem a região, e do jornalista Everson Luiz, meu co-piloto na viagem, foi fácil encontrar algumas palmeiras com frutos maduros.

A dúvida era de que seria o Butia capitata, Butia paraguayensis ou o butia eriospatha. O Butia de Uruana de Minas tem um gosto encorpado, coisa do cerrado mesmo, apesar de no fundo manter o sabor ácido do butia que havia conhecido no sul.

Munido do guia "Palmeiras do Brasil", da Editora Plantarum, observei cachos dos frutos de vez (mais alongados), altura (em Uruana de Minas as plantas raramente atingem os 3 metros de altura) e a casca do tronco mantém resquícios das bainhas das folhas.


Coletei algumas sementes, que agora devo despolpar e colocar em proceso de germinação.


Com a ajuda do prof. Marco Lacerda e prof Harry Lorenzi, a palmeira foi identificado como Butia Capitata.
Na região de Uruana a população conheçe o Butia pelo nome de côco cabeçudo. Utilizam as folhas para fabricação de vassouras. O fruto é consumido ao natural, e também utilizado em conservas de pinga. A castanha é moida e misturada na fabricação de rapadura. Da raiz, fazem uma "garrafada", que afirmam combater dores.


Muitos fazendeiros preservam as plantas, mesmo quando formam pastos. Outros não, e ela é derrubada nos desmatamentos. Fizemos contatos com autoridades municipais, que se motivaram com nossa visita, e mostraram interesse em passar a preservar o Butia, informado a população sobre sua importância. Voltaremos lá em breve, para dar continuidade a esta idéia.


A fauna aprecia o fruto, especialmente as araras, disseram alguns moradores. A espécie tem grande potencial para paisagismo.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Reportagem sobre o viveiro no site da Faculdade de Comunicação da UnB







[ Brasília ] 23 de Julho 2009 Edição VII


http://fac.unb.br/revista20091/index.php?option=com_content&view=article&id=40:pedro-gomes&catid=7:meio-ambiente&Itemid=7

O Buriti Perdido

Escrito por Pedro Gomes

Confrontando um cenário de degradação ambiental, uma iniciativa propõe a valorização de espécies do cerrado



Nos arredores da cidade mineira de Unaí, em meio às grandes fazendas de criação de gado, um modesto viveiro se destaca na paisagem. Cercadas de pastagens, mudas de espécies do cerrado disputam um espaço que lhe foi tirado pela ação humana. É o viveiro Buriti, criado há pouco mais de um ano pelo fotógrafo e viveirista José Nieto, 47, nascido em Lagoa Vermelha, no Rio Grande do Sul, e residente em Unaí.

Descendente de italianos, Nieto herdou da família o gosto pelo cultivo de plantas. Quando pequeno, ajudava seu avô a cuidar de um orquidário, aprendendo desde cedo o ofício de viveirista. "Quando tinha três anos, meu avô me presenteou com uma enxadinha", lembra Nieto. "Foi a partir daí que comecei a gostar do trabalho", conta.

O viveiro, localizado a 8 quilômetros de Unaí, é uma empresa familiar onde o sogro, o filho e o irmão de Nieto colaboram nas atividades. O local abriga cerca de 40 espécies de plantas do cerrado e ornamentais, como palmeira imperial, ipê, buriti, cagaita e até açaí. Apesar da grande variedade de espécies do cerrado, grande parte dos lucros vem da venda das plantas ornamentais. Porém, as espécies do cerrado começam a se tornar objetos de admiração de paisagistas e jardineiros.

Dentre os espécimes da região, o Buriti, cujo nome em língua indígena significa "árvore da vida", foi o escolhido para emprestar seu nome ao viveiro. Encontrado em grande quantidade nos vales e veredas, várzeas que margeiam um rio, é a palmeira mais abundante do país. Apesar da proteção legal à vegetação das veredas, instituídas como Áreas de Proteção Permanente pelo Código Florestal, a degradação ambiental quase a dizimou região de Unaí. Nieto incentiva o plantio de buritis nas nascentes e veredas para recompor a desgastada mata ciliar. "O buriti é uma ótima opção porque tem uma relação estreita com a água, fornecendo, ainda, alimento para a fauna do cerrado", comenta Nieto.

O primeiro viveiro que José Nieto teve foi em Águas Lindas (GO), cidade também no entorno do Distrito Federal. De lá, alugou pouco mais de 12 hectares de terra, porção que antes fazia parte de uma fazenda, e se mudou para a cidadezinha mineira. Ali, improvisou um pedaço de chão. "Ao contrário de tantos outros viveiros, a terra em que cultivo não é minha", diz Nieto. "Sou um viveirista sem terra", brinca.

Ele explica que o Viveiro Buriti não tem fins lucrativos, é um hobby. Para se sustentar, o jornalista cuida de um site onde relata acontecimentos de Unaí. Contudo, não esconde sua preferência. "Muitas vezes eu desvio dinheiro do site pra botar no viveiro. Eu faço isso mesmo, pode escrever", revela.

O viveiro também se sustenta com a venda de mudas, principalmente pela internet. Apesar disso, o mercado ainda fica restrito às proximidades de Unaí, pois, segundo Nieto, o frete para fora do estado é caro. Para plantar, Nieto conta que não compra sementes. "Por onde eu passo, cato do chão. Às vezes, ganho de amigos". Por essa razão, ele diz que o trabalho de coleta tem de ser constante, pois para cada árvore, há uma época certa para se extrair sementes.

Em Brasília, o viveirista encontrou um parceiro: o poeta Nicholas Behr, que é dono do viveiro Pau Brasília. "Sempre que preciso de algumas dicas, ligo para o Nicholas". Também pede orientações para o Instituto Estadual de Florestas (IEF). "Os agrônomos do IEF me ajudam com informações sobre controle de pragas, fertilizantes, essas coisas". Apesar de simples, o viveiro representa um grande sonho do criador. "Por onde passo, procuro deixar uma mancha verde", conclui.

As atividades do Viveiro Buriti parecem se traduzir nas palavras do poeta mineiro Afonso Arinos, em "O buriti perdido": "Então, talvez, uma alma amante das lendas primevas, uma alma que tenhas movido ao amor e à poesia, não permitindo a tua destruição, fará com que figures em larga praça, como um monumento às gerações extintas, uma página sempre aberta de um poema que não foi escrito, mas que referve na mente de cada um dos filhos desta terra".


quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sementes pré-germinadas de Washingtonia robusta

Tenho disponíveis para venda ou troca sementes pré-germinadas
de washingtonia robusta.
Estou comercializando a R$ 1,00 a unidade.
Pedido mínimo de 50 unidades.
Envio por SEDEX, em substrato umido.

domingo, 22 de março de 2009

Mudas de buriti


Mudas de 2008

domingo, 25 de janeiro de 2009

PLANTE ÁRVORES - INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Reflorestando nascentes e margens de córregos e rios

A água é o sustentáculo da vida em nosso planeta. A garantia da oferta de água deve-se à vegetação nativa que protege o solo, evitando enxurradas e processos erosivos que vão causar o assoreamento dos leitos dos rios e nascentes. Além de exercer papel fundamental para a manutenção da quantidade e qualidade da água, a vegetação também atua no equilíbrio ecológico, garantindo abrigo e alimento para a fauna e para os homens.

Reflorestar é hoje uma necessidade primordial, devendo ser realizada imediatamente, pois as árvores demoram a crescer e queremos florestas para os nossos descendentes.

Quais espécies devem ser plantadas?

A escolha das espécies vai depender da vocação da área de cultivo. É recomendável o uso de mudas de espécies nativas, que são adaptadas à região e tem grande chance de crescer e se desenvolver bem. No caso das frutíferas é possível que algumas espécies produzam frutos aos cinco anos de idade. Há grupos de espécies para cada ambiente: áreas mais úmidas, mais secas, margens de córregos e nascentes.

Como plantar?

Época de plantio

A época adequada para o plantio é o início das chuvas, de preferência em dias nublados ou úmidos.

Árvores nativas em geral

Tamanho da cova: 40X40X40 cm – ou tamanho da embalagem
Espaçamento: 3X3 m
Adubação por cova: 250g de calcário dolomítico; 30g de NPK 4 – 30 – 16 + Zn; 5 litros de adubo orgânico.

Mudas de Eucalyptus SP e Pinus SP

Tamanho da cova: 20X20X20 cm
Espaçamento: 3X2 m; 2X2 m
Adubação por cova: 200g de calcário dolomítico; 30g de NPK 4 – 30 – 16 + Zn;
5 litros de adubo orgânico.

Mudas de arbustos

Tamanho da cova: 40X40X40 cm
Espaçamento:

Adubação por cova: 500g de calcário dolomítico; 60g de NPK 4 – 30 – 16 + Zn;
10 - 12 litros de adubo orgânico.

Mudas em torrão, espécies ornamentais arbóreas e frutíferas nativas

Tamanho da cova: 80X80X80 cm
Espaçamento, em geral: 7X7 m
Adubação por cova: 1 kg de calcário dolomítico; 300g de NPK 4 – 30 – 16 + Zn; 20 litros de adubo orgânico.

Pomar doméstico

Tamanho da cova: 80X80X80 cm

Espaçamento:

Mangueira (pé franco) - 10X10 m

Abacateiro (pé franco) - 10X10 m

Jaboticabeira - 8X8 m

Citros em geral – 6X7 m

Goiabeira (pé franco) – 6X6 m

Maracujazeiro – 3X5 m

Adubação por cova: 1 a 2 kg de calcário dolomítico; 400g de NPK 4 – 30 – 16 +

Zn; 1 kg de fosfato natural; 30g de FTE BR – 8; 20 a 30 litros de adubo

orgânico.

Cerca viva

Tamanho da cova: abrir valeta de 40X40 cm ao longo do perímetro para plantar

as mudas;

Espaçamento: 03 mudas por metro linear

Adubação por metro linear de vala: 5 kg de calcário dolomítico; 200g de NPK 4

– 14 – 8; 10 litros de adubo orgânico. Distribuir 50g de sulfato de amônio por

metro aos 30, 60 e 90 dias do plantio.

O plantio

· Remover a terra da cova e separar a terra de cima da de baixo;

· Um mês antes do plantio, misturar o calcário e adubo orgânico à

terra de cima. Devolver para dentro da cova, primeiro a terra

adubada e depois a outra parte. Regar diariamente para que o

calcário corrija o pH do solo. Colocar o adubo químico por ocasião do

plantio;

· Retirar a muda do saco plástico ou cesto de fibras antes de plantar,

evitando que os torrões sejam desfeitos; Deixar a superfície da muda

alinhada com a superfície do terreno, evitando enterrar a parte

inferior do tronco ou deixar raízes expostas;

· Apertar a terra ao redor da muda, de modo que a planta fique firme e

na posição vertical;

· Deixar a cova um pouco mais baixa que o nível do terreno para

acumular umidade;

· Fazer tutoramento da muda, usando para isso um pedaço de sarrafo

de madeira ou estaca de bambu com 60 cm;

· Regar logo após o plantio e diariamente até o pegamento,

espaçando a rega depois.

Adubação corretiva

Após o pegamento das mudas, realizar adubação por cobertura aplicando

sulfato de amônio nas quantidades de 50, 100 e 150g aos 30, 60 e 90 dias

após o plantio, respectivamente.

LISTA DE ESPÉCIES

Nome vulgar:

Angico

Araçá-roxo

Aroeira

Bacupari da mata

Barbatimão

Baru

Baraúna

Cagaita

Caju do cerrado

Camboatá bravo

Canela

Capitão da mata

Caqui do cerrado

Cedro

Cega-machado

Copaíba

Embaúba

Embira de sapo

Faveiro

Gonçalo Alves

Guariroba

Guapeva

Guatambu

Ingá da mata

Ipê do cerrado

Ipê verde

Jacarandá

Jatobá da mata

Jatobá do cerrado

Jenipapo

Jerivá

Landim

Lobeira

Louro precioso

Louro preto

Macaúba

Mama-cadela

Mamica-de-porca

Mangaba

Mata cachorro

Monjoleiro

Mutamba

Olho de cabra

Paineira do cerrado

Pajeú

Palmiteiro

Pata de vaca

Pau pombo

Pau-terra-da-mata

Pente de macaco

Pequi

Pereira do campo

Piúna

Quaresmeira

Sangra d’água

Tamboril do cerrado

Tapura

Ucuúba

Umburana

Vinhático

Granja Modelo do Ipê

DF 003 – Saída Sul – Brasília/DF

Telefone: (61) 3380-2847

Núcleo de Proteção e Reabilitação Ambiental

SAIN Parque Rural – Brasília/DF

Telefone: (61) 3348-7917

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Mudas à venda:

O viveiro está localizado 170 km de Brasilia. A rodovia está em excelentes condições.

Entregamos em Brasília.

Para vir ao viveiro, entrar em contato pelo celular: (38) 9954.1639 (Unaí)

Palmeira Imperial (Roystonea olerácea)

Palmito Jussara (Euterpe edulis)

Palmeira Real Australiana (Archontophoenix alexandrae)

Palmeira Jerivá

Palmeira Fênix

Palmeira Dendê

Palmeira Butia capitata (odorata)

Palmeira Guariroba

Palmeira Triangular

Palmeira Washingtonia

Palmeira Cariota Mitis


email: nieto@unainet.com.br
Fone: (38) 9954.1639

domingo, 15 de junho de 2008

Palmeiras ornamentais: a broca-do-olho-das-palmeiras

Francisco José Zorzenon
zorzenon@biologico.sp.gov.br
Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Vegetal
Instituto Biológico

As palmeiras fazem parte integrante da paisagem de nosso País e são de grande importância na cadeia alimentar, fornecendo folhas, flores e frutos a inúmeras espécies de aves e mamíferos, dentre outras. São largamente utilizadas como alimento e para a obtenção de óleos e ceras, de grande valor artesanal, além do emprego na ornamentação em praticamente todas as regiões do Brasil. O interesse pelas espécies nativas e tantas outras introduzidas revelam a versatilidade e o fascínio dos homens pelas palmeiras, sendo igualmente apreciadas em parques, jardins ou em plantações comerciais. A família Palmae (Arecaceae) abriga cerca de 3.500 espécies conhecidas, reunidas em 240 gêneros, predominantemente de regiões tropicais, ocorrendo raramente em climas com temperaturas mais amenas.Muitas pragas são reconhecidas como limitantes às palmeiras, causando sérios comprometimentos no desenvolvimento e no aspecto estético, destruindo folhas, caule (estipe), flores, frutos, sementes e afetando diretamente o vigor e a beleza das plantas.Uma das principais e mais importantes pragas fitossanitárias e estéticas das palmeiras é a chamada broca-do-olho-das-palmeiras ou broca-do-olho-do-coqueiro, cientificamente denominada Rhynchophorus palmarum Linnaeus, 1764.Os adultos são besouros negro-aveludados, de grande tamanho, variando entre 46 a 50 mm de comprimento, “bico” longo e levemente recurvado e antenas em forma de cotovelo. Os machos possuem cerdas rígidas, em forma de escova, na parte superior do bico, diferindo das fêmeas, onde o bico é liso e mais afilado. As posturas são efetuadas nas partes tenras das palmeiras (olho ou gema apical) ou em ferimentos pré-existentes, numa média de 250 ovos por fêmea. A larva não possui pernas (ápoda) e é de tamanho bastante avantajado em sua fase final de crescimento, chegando aos 75 mm de comprimento, possuindo corpo robusto, branco-amarelado, com cabeça bem desenvolvida e de coloração alaranjada. Consomem os tecidos sadios, fazendo galerias e deixando, no interior do estipe, uma coloração avermelhada característica devido provavelmente à ação de bactérias e fungos decompositores presentes nas fezes e restos de tecidos fermentados. Os sintomas mais evidentes do ataque da praga são o amarelecimento e murcha de folhas, tombamento e morte da planta.Próximo à pupação, a larva constrói, dentro do estipe, um casulo feito com as fibras da planta hospedeira. A praga é um inseto de hábito diurno e pode ser encontrada em todas as fases de desenvolvimento durante todo o ano. Seu ciclo de vida é relativamente longo, sendo a média de 3 a 4 dias para ovo, 50 a 70 dias para larva, 24 dias para a pupa e 45 a 128 dias para adulto. Portanto, as larvas permanecem nas palmeiras mortas por um longo período, até a eclosão da fase adulta desde que haja quantidade de alimento e umidade suficientes. As palmeiras mortas, estando tombadas ou eretas em seu lugar de cultivo ou exposição, devem ser queimadas e enterradas, evitando-se assim novos focos de criação.Os odores de fermentação oriundos de exudatos e ferimentos mecânicos pelo corte de folhas ou de estipes atraem insetos adultos e estes, sendo machos, liberam um feromônio (odor característico para cada espécie) de agregação, atraindo indivíduos de ambos os sexos para a planta hospedeira. O uso de feromônios de agregação na forma de armadilhas é uma forma prática e eficiente no combate e monitoramento da praga. As armadilhas feromônicas consistem de baldes plásticos de 60 ou 100 litros (preferencialmente nas cores verde, amarelo, bege ou branco), em cuja tampa são feitos quatro orifícios circulares de aproximadamente 5 a 6 cm de diâmetro, nos quais são inseridos canos de PVC usados em construção civil, com aproximadamente 15 cm de comprimento, presos à tampa com cola de silicone. Os baldes plásticos deverão ser perfurados na sua base (furos com alguns milímetros) para o escoamento de água das chuvas. A armadilha deverá conter o feromônio pendurado internamente na tampa e de aproximadamente dez toletes de cana ligeiramente macerados para a obtenção do odor de fermentação. Deverão ser distribuídas na proporção de uma armadilha para dois hectares e monitoradas quinzenalmente para a destruição dos adultos capturados. Normalmente a ação atrativa do feromônio é de 60 dias e a da cana macerada, cerca de 15 dias. A erradicação de plantas mortas, doentes, infestadas ou não por R. palmarum, junto às armadilhas feromônicas para o monitoramento e controle, mesmo fora da época de pico populacional da praga, são medidas racionais a serem seguidas metodicamente.

R. palmarum adultoFoto: F.J. Zorzenon



Larva de R. palmarumFoto: F.J. Zorzenon


Armadilha feromônicaFoto: F.J. Zorzenon

Brassolis sophorae e Brassolis astyra: pragas de palmeiras e coqueiros

Brassolis sophorae e Brassolis astyra: pragas de palmeiras e coqueiros

por Édson Possidônio Teixeira*

Brassolis sophorae e B. astyra, são borboletas, têm hábito crepuscular e durante o dia escondem-se nas próprias plantas hospedeiras ou em outras plantas. As lagartas dessas borboletas, em certas ocasiões, tornam-se verdadeiras pragas das palmeiras e dos coqueiros, plantas de grande valor econômico do ponto de vista ornamental e industrial. Vivem em toda extensão da América do Sul, possivelmente porque a região é mais rica em palmeiras. De acordo com a literatura, Brassolis astyra é mais difundida que a B. sophorae.

Os ovos são colocados em grupo, em número que pode ultrapassar a 200, na face inferior dos folíolos, e às vezes, sobre os frutos e no estipe; o período de incubação dos ovos varia de 20-25 dias. As lagartas apresentam comportamento gregário e têm hábito noturno, abrigando-se em casulo (um ou mais) que tecem unindo os folíolos com fios de seda; ciclo larval em torno de 150 dias. Terminada a fase de lagarta (em torno de 150 dias) abandonam a planta hospedeira, ocasião em que é comum encontrá-las em grande número pelas calçadas e gramados em busca de um local como paredes, muros e mesmo árvores onde se fixam e crisalidam. A fase de crisálida pode variar de 15 a 20 dias, findo os quais eclodem os adultos. No estado de São Paulo a presença dessas lagartas é notada de setembro-outubro até março; muitas vezes se inicia mais cedo e termina mais tarde. Neste mês de junho, é possível constatar a presença do ataque desses insetos causando danos em algumas praças de Campinas. Além dos danos (desfolha) a presença das lagartas pode ser percebida pela presença de fezes junto às plantas e pelo barulho destas quando caem sobre a vegetação.

Medidas de controle:

1.mecânico – coleta dos casulos (ninhos) e destruição das lagartas por esmagamento;

2.cultural – em áreas com grandes plantios comerciais, catação dos restos da cultura (casca de coco e folhas) pois estes oferecem às lagartas condições à sua crisalidação e proteção contra inimigos naturais;

3.biológico – pulverização com Beuveria bassiana (fungo), Bacillus thuringiensis (bactéria).

Na natureza é comum encontrar lagartas parasitadas pela mosca Xanthozona melanopyga (Tachinidae) e por vespinhas (microhimenópteros), estas também como parasita de ovos.
Acredita-se que o aumento do número de ataques nos grandes centros urbanos seja devido às condições desfavoráveis aos inimigos naturais como, por exemplo, poluição.
Além do gênero Brassolis, cita-se o gênero Opsiphanes como praga primária em plantios de dendê em alguns países da América tropical e, no Brasil, como praga secundária do coqueiro e do dendê.


Dano causado por lagartas de Brassolis sp


Dano causado por lagartas de Brassolis,
mostrando emdetalhe o casulo das lagartas.

Brassolis sophorae (L., 1758)

* Édson Possidônio Teixeira é Pesquisador Científico do Instituto Agronômico - IAC Diplomou-se em Engenharia Agronômica em 1975, pela UFRRJ;Mestre em Ciências Biológicas - Área de Concentração: Entomologia. 1986. ESALQ-USP; Doutor em Ciências Biológicas - área de Zoologia, UNESP - Rio Claro, 2001. Curador oficial da coleção entomológica (IACC).Contato: edson@iac.sp.gov.br

Fonte: http://www.infobibos.com/Artigos/Pragas/lagartaPalmeira/Index.htm

terça-feira, 25 de março de 2008

Doenças fúngicas das palmeiras e seu controle

http://mais.uol.com.br/view/f3y3fvakuqrn/doencas-fungicas-das-palmeiras-e-seu-controle-04023968CCA98346?types=A&

Olga Maria R. Russomanno
russomano@biologico.sp.gov.br
Pedro Carlos Kruppa
pckruppa@biologico.sp.gov.br
Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Vegetal


As palmeiras são plantas pertencentes à família Arecaceae (Palmae), da ordem das Arecales, representadas por mais de 240 gêneros e cerca de 3.000 espécies. São elementos importantes na composição do paisagismo nacional, pois, juntamente com as árvores, arbustos, gramados e plantas rasteiras, são satisfatoriamente utilizados pelos paisagistas na formação de parques e jardins. São as plantas mais características da flora tropical, podendo transmitir ao meio onde são cultivadas algo do aspecto luxuriante e do fascínio das regiões tropicais. Além de ornamentais, algumas palmeiras são utilizadas como ção de óleos e ceras. O mercado das palmeiras ornamentais cresceu consideravelmente nos últimos anos, sendo cultivadas as mais diferentes espécies por viveiristas e produtores.

Dentre as doenças fúngicas que acometem as palmeiras, podemos encontrar tanto aquelas causadas por fungos da parte aérea, presentes nas folhas e estipes (caules), como as provocadas pelos fungos de solo, que acometem as raízes. As sementes também possibilitam a disseminação e transmissão de fungos e, portanto, devem ser previamente analisadas.

Doenças causadas por fungos da parte aérea

Antracnose – Colletotrichum sp. (Figuras 1 e 2) – Essa doença é considerada a mais importante para os produtores de mudas e plantas envasadas destinadas ao comércio. O fungo ataca principalmente as folhas, causando manchas pardas que aparecem nas bordas ou junto às nervuras. Com a coalescência (união) das lesões grande área do limbo foliar é afetada, terminando por amarelecer e secar completamente as folhas. O fungo pode ainda atacar os talos das folhas e o estipe, principalmente em plantas mais jovens e já foi identificado em muitos tipos de palmeiras, entre elas Raphis excelsa (palmeira-rápis), Bactris gasipaes (pupunha), Caryota spp. (palmeira-rabo-de-peixe) e Roystonea spp. (palmeira-real e palmeira-imperial).

Lesões nas folhas por Pestalotiopsis sp.– Esse fungo desenvolve-se sobre as folhas das palmeiras e causa pequenas manchas quase não perceptíveis. Com a coalescência das pequenas manchas, formam-se manchas maiores que progridem, podendo provocar a seca das folhas e comprometer toda a planta, especialmente as mais jovens. Os esporos, quando em grande quantidade sobre as folhas, mostram uma espécie de fuligem preta, correspondente às frutificações fúngicas.

Mancha foliar por Cylindrocladium sp.– Esse fungo, considerado um fungo de solo, pode também provocar manchas nas folhas das palmeiras. As manchas são circulares a elipsoidais ou irregulares, coloração parda com bordas escuras e terminadas por um halo clorótico. A coalescência das lesões compromete todo o limbo foliar. A contaminação das folhas pode ocorrer devido à formação da fase sexuada do fungo (Calonectria sp.) que libera seus esporos para o meio ambiente disseminando-os a longas distâncias. Em diversas palmeiras ornamentais foi identificado C. pteridis causando manchas em folhas de palmeiras, bem como C. pteridis e C. floridanum causando podridão peduncular de coco.

Mancha foliar por Bipolaris incurvata – O fungo causa lesões foliares redondas ou ovais, inicialmente de coloração marrom-escura e, posteriormente, apresentando um centro mais claro e bordos escuros bem definidos. Com a coalescência das manchas, as folhas secam causando a morte de plântulas.

Doenças causadas por fungos de solo

Podridão do olho, podridão do topo ou podridão do broto – Phytophthora palmivora (Figura 3) – Ocorre murcha e amarelecimento da folha flecha e folhas mais novas. Os tecidos do palmito tendem a apodrecer até transformarem-se numa massa aquosa e fétida. As plantas perdem as folhas mais jovens, permanecendo na copa apenas as folhas mais velhas, por conseguinte mais resistentes. Com o progresso da doença o estipe fica com os tecidos castanho-avermelhados e os pedúnculos florais desintegram-se na base. No final do ciclo da doença, todas as folhas caem e o estipe fica desnudo. Plantas jovens apresentam nítido apodrecimento de raízes e crescimento reduzido. O patógeno pode se disseminar por longas distâncias seja através da água de irrigação ou pelo substrato, por meio dos zoósporos, esporos móveis nadantes. Na ausência do hospedeiro, o patógeno sobrevive saprofiticamente no solo por longos períodos, até encontrar um hospedeiro adequado e recomeçar seu ciclo vital.

Fusariose ou Murcha – Fusarium sp. (Figura 4) - O fungo penetra na planta hospedeira, através das raízes, causando o apodrecimento destas e do estipe. Os primeiros sintomas em plantas jovens manifestam-se por uma murcha das folhas seguido de amarelecimento e seca. Em viveiros, causa tombamento de plântulas. Nas plantas mais velhas, o corte radial do estipe mostra um escurecimento da região condutora de seiva e essa sintomatologia também pode ser notada ao cortarmos longitudinalmente o estipe e talos das folhas.

Podridão de Cylindrocladium sp. (forma perfeita Calonectria sp.) – Através do apodrecimento do sistema radicular e do estipe, o fungo compromete o desenvolvimento das plantas, levando-as à morte. Os esporos e microescleródios (estruturas de resistência) do fungo sobrevivem no solo e disseminam-se através da água de irrigação contaminada, restos de cultura deixados no campo e ainda ferramentas infectadas que são utilizadas na poda. O fungo pode também causar uma podridão peduncular de frutos, principalmente do coqueiro.

Doenças causadas por fungos de sementes

As sementes constituem um dos meios mais eficientes de disseminação e transmissão de patógenos às plantas. Essa disseminação possibilita a introdução desses agentes em áreas isentas ou o seu acúmulo em áreas já infestadas e, como conseqüência, pode causar prejuízos na produção agrícola. Vários fungos têm sido detectados em sementes de palmeiras, principalmente, Colletotrichum gloeosporioides, Fusarium spp., Botryodiplodia sp., Pestalotiopsis sp. e Aspergillus spp. Os prejuízos causados por esses fungos vão desde o apodrecimento das sementes, provocando falhas na germinação ou, posteriormente, a morte de plântulas, até o apodrecimento das raízes ou o aparecimento de manchas foliares, causando plantas mal desenvolvidas que terão sua produção comprometida.

Práticas culturais e controle

Para controle dos fungos da parte aérea, recomenda-se a poda das folhas afetadas e sua retirada do local de plantio, eliminando-se a óculo. Em viveiros, mudas atacadas pelo patógeno devem ser retiradas do local para que não haja contaminação de plantas sadias e, ainda, maior espaçamento entre as mudas pode favorecer a aeração e impedir a proliferação do fungo. A irrigação das plantas por aspersão não é recomendada, pois os conídios (esporos do fungo) serão disseminados para plantas sadias. A melhor forma de aspersão é a localizada.

Como medidas de controle de Phytophthora palmivora, Fusarium sp. e Cylindrocladium sp., recomenda-se espaçamento adequado entre as mudas, manutenção da cultura a limpo, controle da umidade (drenagem e regas) e descarte e destruição das plantas doentes, evitando-se assim a disseminação dos patógenos. No caso da fusariose, o controle preventivo também pode ser feito através do emprego de técnicas de solarização. Para controle da podridão de Cylindrocladium sp. recomenda-se ainda a aplicação de calcário dolomítico (1 kg / m2), tendo em vista que o aumento do pH do solo controla o desenvolvimento de fungos e favorece o aumento de bactérias competidoras desses microrganismos causadores de doenças. Entretanto, esse processo é lento e os resultados benéficos não serão imediatos.

Para todos os fungos é imprescindível desinfestar as ferramentas de cultivo e os vasos reutilizados, através do emprego de uma solução de formaldeído a 4%, para evitar o progresso das doenças.

É recomendável que as sementes sejam adquiridas de fornecedores que garantam a sua procedência, qualidade e vigor. No caso de utilização de sementes colhidas de plantas nativas ou da área de plantio, estas devem ser observadas em sementeiras para evitar a introdução e disseminação de fungos no viveiro e no campo. As sementes devem ser retiradas de frutos de plantas sadias e vigorosas, mas não em estágio avançado de maturação, pois sua polpa propicia o desenvolvimento de fungos que prejudicam a germinação. Caso apareçam sementes mofadas, recomenda-se a retirada delas para evitar a disseminação de fungos.

Devido a sua facilidade de transporte a longas distâncias, as sementes representam um meio eficiente de disseminação de doenças exóticas. A obtenção de sementes importadas deve ser feita através de importadores credenciados, pois existe o risco de introdução de patógenos que causam doenças que ainda não foram constatadas no país.

O tratamento das sementes com fungicidas impede ou diminui o desenvolvimento do fungo na semente. Ele visa o controle diretamente na semente e/ou a proteção contra alguns fungos do solo no momento da germinação e outros da parte aérea na fase inicial do crescimento. O tratamento deverá ser realizado com fungicidas registrados no Ministério da Agricultura, seguindo as recomendações de uso, devido às limitações de eficiência e toxicológicas.

As doenças que ocorrem em canteiros e viveiros de palmeiras estão associadas principalmente ao material propagativo (sementes ou mudas), à umidade, luminosidade e ao substrato. Esses fatores devem ser adequadamente controlados para evitar a introdução, o desenvolvimento e a disseminação de doenças fúngicas.

As inspeções de campo possibilitam a detecção de focos inicias de doenças que devem ser controlados. A sanidade das mudas em viveiro e a seleção das plantas a serem levadas para o campo devem ser observadas. Muda com sintoma de doença ou fora do padrão, não deve ser plantada no campo e o solo do recipiente não deve ser reaproveitado.

O Laboratório de Micologia Fitopatológica, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Vegetal do Instituto Biológico, vem realizando diagnósticos das doenças fúngicas em palmeiras. As doenças descritas foram detectadas em palmeiras ornamentais e produtivas procedentes de diversas regiões do Brasil e enviadas por paisagistas e produtores na forma de consultas.